terça-feira, 19 de junho de 2007

Missão Angola


-“Missão possível! Lê está lá dentro!”
-“não não, tem um im antes, afinal é impossível!”
-“cala-te não vês o ponto de interrogação no fim?”
-“é assim, vocês não percebem nada, é só para nos juntarmos todos e tornar o im e o ponto no possível!”

É linda a mente de uma criança, a forma como chega às coisas ... se virem a nossa t-shirt percebem estes comentários!

Sem pensar muito no que escrever, vou-o fazendo á medida que a inspiração o permitir.

Assim sendo, começo por elogiar e agradecer o esforço de todos os que não vão em Missão, mas sempre que possível vêm animar e participar arduamente nas nossas reuniões, dando conselhos, fazendo fios, contando piadas, entre outras coisas.

Sim estou a falar de vocês, Irmã Alice, Sara e Ricardo (já sabem o leitão lá nos espera e as fotos do México também, não é só irem para lá gabar-se), entre outros que esporadicamente nos visitam, e ainda aqueles que connosco estiveram por diversas vezes a ajudar nas missas, a Natacha, a Carla, a Sofia, entre tantos outros ... Uns amigos de membros do grupo, outros familiares, mas sempre com o intuito de serem mais uma mão entre as nossas, misturando-se assim na Missão que cada vez é mais de todos e não só dos que vão!
Queria também deixar aqui uma palavra de apreço e carinho á comunidade das Irmãs de Santa Doroteia, que nos têm ajudado sem descanço, seja através da compra de terços e colares, ou ajudando a fazê-los, enquanto nos mimam com lanches e momentos de convívio muito agradáveis.

Um grande obrigado por serem para nós, de certeza que para todos, um exemplo e inspiração para continuar em frente.

Em relação ao grupo é com grande alegria que estamos todos no mesmo barco, neste caso avião, pois é o meio indicado para nos deslocarmos em tão longa viagem e porque nesta altura já temos o capital para o pagar.

Desde o primeiro dia que me senti cativado pela ideia de partir, sem medos, sem mágoas, sem sentimentos de qualquer tipo em relação ao que vamos encontrar em Angola e principalmente sabendo que ainda não conhecia a maior parte dos elementos deste grupo missionário e voluntário do qual me orgulho de fazer parte.

* Começando na Cláudia, sempre responsável mas que cede facilmente a uma brincadeira e nos brinda com o seu sorriso de entre a sua agenda onde aponta religiosamente os ditos e desditos das reuniões. De notar que tenta ainda, curiosamente, defender-se (sem sucesso) quando afirmamos que não percebe muito de primeiros socorros;

* seguindo pelo João com o seu aguçado sentido prático, tanto de brincadeira como de trabalho, associado ao facto de expor os seus pontos de vista em prol de um melhor desempenho do grupo;

* depois vem a Inês que de forma audaz (assustadora apenas ao inicio, depois é fácil habituar) mas eficaz, se faz ouvir e faz ouvir os outros para que haja ordem, enfim sabe impor o respeito e bem que precisamos às vezes;

* passamos pela calada Dulce, pouco fala, no entanto ainda bem que não o faz tanto quanto trabalha se não teríamos não só de estar todos de férias como ainda tínhamos música para muuuuuuuito tempo, tal foi, e é, o empenho, dedicação e habilidade com que ela fez os milhares (sim de certeza que foram milhares) de colares e terços sem os quais ainda estávamos a discutir o que fazer para juntar dinheiro;

* paragem obrigatória nos gatos a mirar a lua á espera que passe a bruxa, curiosamente uma rapariga de seu nome Joana estava perplexa a pedir para que as raxtas lhe crescessem depressa, isto enquanto não lhe desse para começar a fazer macacadas por ter visto a bruxa;

* logo ao lado uma menina e moça algarvia cantava do alto da sua torre pelo príncipe que a viria buscar e levar, sem ser de avião, para além do Cabo do Bojador das ideias e de quem a apelidou de Matilde (ela chama-se Joana para quem não sabe);

* a seguir vem o sempre, prestável Amarante, às vezes indeciso, outras decidido, mas sempre com o objectivo de racionalmente chegar á conclusão certa e mais acertada a cada passo que vamos dando, isto claro que tem de ser somado á sempre boa disposição e facilidade com que por meio de palavras, actos e expressões nos faz rir (como é que não estás em teatro);

* aparece logo de seguida, pela sua altura inconfundível, o Gouveia a fazer uns golpes meio desajeitados de Karaté, enquanto tenta passar as pedras de um malfadado terço pela agulha que teima em alargar quando é apertada e que dá seguimento a um fio com ... mais fio e na ponta, mesmo lá longe um emaranhado original de mais pedras. No entanto reparte, com o Amarante, os créditos pelo belo site que temos e que nos leva a todos os cantos do mundo, permitindo que qualquer pessoa nos veja sem estar ao pé de nós nessa altura;

* A Lisete tenta puxar a camisola do Alex para lhe poder explicar, rindo-se perdidamente com um sorriso que enche a sala e a todos nós de alegria, que o fio estava muito simples e que devia ser mais directo e eficaz nos colares, e ainda, após longo momento de introspecção, que lhe fazia impressão aquela forma de trabalhar;

* entra então em cena a Maria, “o meu nome é: Maria Manuel!!!”, a nossa advogada e membro mais experiente ao ter participado já numa Missão em Moçambique. É bom contar com ela, pois felizmente trabalha bem, ajuda sempre que pode, alimenta colegas com fome sem olhar a despesas e ainda defende disputas que surgem quando queremos decidir onde ir vender e com quem ir, ou então aplicar os seus dotes e artes de convencer as pessoas a agir consoante o que quer com os seus argumentos. De qualquer modo os Santinhos naquela noite também ajudaram não foi Maria? (belas sandes!);

* quando falham os argumentos jurídicos lá está a sempre bem disposta Anabela que, com a certeza de no seu cantinho junto das Irmãs crescer e fazer crescer o sentimento e a Fé que trás dentro de si e quer dar a todos para chegarmos a bom porto, nos faz andar para a frente e moraliza e mobiliza nesta etapa da nossa vida. É o membro que, a par da Cláudia, nos relembra sempre da importante vertente religiosa desta Missão;

* todos somos importantes mas há uma voz que quando se levanta é como Moisés perante o mar, tanto acalma como coloca logo tudo em ordem. É a nossa querida Irmã Judite, ela ajuda, ela brinca, ela ... ficava aqui a noite toda, só tem um defeito, recusa-se preponderantemente a vender-me o telemóvel, á e de vez em quando esquece-se de avisar que está a brincar e faz algumas pessoas levantar-se mais cedo para ir busca-la ... enfim em Angola depois acertamos contas quando caminharmos horas a fio sem parar pelo meio das florestas a caminho das aldeias mais isoladas;

* como para último vem o melhor, é só modéstia, apareço eu (Nuno) aos saltos por trás do grupo todo a gritar “pick me! pick me” enquanto tento convencer, com uma bolacha de cada vez na mão, que devemos trabalhar todos em prol do melhor e sempre incansável no lançamento de ideias utópicas, bom não tanto, há esperança para algumas.



Uau, acho que consegui falar de todos e apanhar o que de melhor temos.

Quanto ao pior, é devido ao facto de queremos tanto ajudar e envolver-nos, que por vezes não dá para retirar aquele espinho que já vem da vida diária, picando ele assim um pouco mais nesse dia. No entanto faz parte da vida em grupo, pois se fosse tudo una dolce vita, não teria piada nem seria estimulante conhecermo-nos nas nossas diferenças e aproximar-nos nas nossas igualdades.

Somos diferentes, em aspecto, em sentimento, em essência e mais importante em alma, como tal compete a cada um descobrir o seu lugar no grupo e o seu lugar no Mundo. Sem dúvida que esta Missão é a porta de um caminho longo e maravilhoso para todos.

Não somos os salvadores do Mundo, nem do Homem, mas somos as mãos do hoje que procuram manufacturar um amanhã diferente. Pior ou melhor só o saberemos quando as mãos de todos forem uma só, com o mesmo destino, a mesma cor, o mesmo sentimento ...

Obrigado a todos.

Nuno Cruz 19/06/2007

Um comentário:

Naty disse...

Realmente reconheço as qualidades deste grande grupo que vai em missão.. que cada um faça o melhor e dê um pouco de si e da sua missão todos os dias que o resto vem por acréscimo.
Por lá tornem muita coisa impossível em possível!

"que procuram manufacturar um amanhã diferente"

Nuno, tens que capitalizar sempre tudo... =) Bom post, viva as utopias e bolachas, é de utópicos que o mundo evolui!!

Natacha Ferreira