E se fossemos todos uma necessidade do nosso tempo?
Sim, se o que se passa diante dos nossos olhos nos levasse a agir em conformidade com o que é necessário fazer para que os eventos possam acontecer.
Se o destino e o Homem não forem o centro o que o pode ser? Centro da procura de algo que nos reconforta e dá a energia suficiente para caminhar.
Quando se procurar uma saida, ou um caminho e se tenta ser superior a nós, não se pode pode descurar o facto de estarmos rodeados de outros seres em busca das suas premissas e caminhos!
Quero com isto dizer que a nossa busca interna dos momentos e sentimentos que nos elevam, tanto espiritual como fisicamente, está, à partida, limitada pelos actos e sentimentos dos outros. Se assim não fosse jamais conseguiriamos coabitar com alguem, nem tão pouco estabelecer as regras que nos fazem viver em sociedade.
Numa sociedade regulamentada pelo poder da palavra, da possibilidade de decidir em prol do que julgamos ser melhor e, infelizmente, cada vez mais dependente do dinheiro, o que nos torna cada vez mais materialistas (às vezes mesmo sem o querer ser ou saber) cabe a nós dizer o que podemos fazer para sermos fiéis a essa busca interna, subjacente aos tempos e idades que temos.
Quando tinha 5 anos de certeza que as preocupações dessa altura e o que procurava não era o mesmo que aos 10, 15 nem hoje em dia. Com o avançar da idade eu vou mudando e o mundo muda tambem, uns amigos vêm, outros vão, os familiares desaparecem outros chegam para colmatar esses desaparecimentos e nós vamos construindo uma sólida (ou pelo menos julgamos) fundação para os nossos passos futuros. Com esta premissa começa a surgir a necessidade de encontrar respostas para o que se passa á nossa volta em vários locais. Aqui uns recorrem á religião e outros recorrem a formas mais esotéricas do pensar e do agir.
Surge então a grande questão, o porquê desta absorção do mundo Oriental e as suas formas de sentir e estar (Hinduismo, Budismo e essencialmente Yoga e Taoismo, entre outras) perante a presença tão implementada e forte do Catolicismo e/ou Islamismo neste nosso Ocidente?
A resposta que eu, cada vez mais, encontro é o facto de as primeiras colocarem o Homem no cerne da questão, ou seja, são formas de Humanismo que nos deixam espaço de criação e de idealização do que seria o nosso mundo, fora de ideias pré-concebidas. Por outras palavras podemos criar o nosso céu e julgar o nosso inferno.
Se nos virarmos mais para as religiões ocidentais, somos obrigados a esbater contra uma barreira ideológica preenchida por dogmas e encontros de conciliação constante. Esta ideia confusa que deixei atrás é somente o reflexo das incoêrencias de hoje em dia.
Imagine-se uma pessoa que não acredita em Cristo, nem tão pouco no Judaismo, nem no Islamismo e se ri da Cientologia (cito só algumas das religiões mais visiveis de hoje), será que esta pessoa não pode ter principios tão forte e tão fiéis, tendo uma fé ainda mais credivel em si e nos outros que um Católico tem? Será que esta pessoa está limitada de alguma forma, ou limita o seu pensamento? Na minha opinião não! e mais, está completamente livre de se julgar e encontrar nos caminhos dos outros, deste modo aproximando-se de um "Tao" (caminho) em que a sua busca interior é só e apenas sua, e ainda virada para os seus defeitos/virtudes! No entanto quem acredita nestas formas de religião tambem tem as suas pretensões. Ao não querer dar o passo a seguir ficando-se pelos credos e aceitação de dogmas, demonstra a capacidade de ser fiel e forte tambem a si, pois cria um limite, um espaço onde dá aso a que a sua fé funcione e se mostre como resposta aos seus problemas.
Eu sou Cristão porque acredito no exemplo de Cristo, e nos valores e ideias que ele transmitiu, no entanto não acredito no rumo que a Igreja tomou, nem nas premissas onde assenta algumas das suas ideologias.
Somos auto-suficientes e podemos alcançar por nós as nossas vitórias, auxiliados por "energias", espiritos, forças metafisicas (apenas algo que a nossa ciência hoje em dia não consegue quantificar), talvez, mas sempre seguindo um Tao que é nosso, um caminho que vamos definindo e delimitando ao longo da passagem por outras pessoas e outras culturas.
No Oriente conseguiram ultrapassar o desafio de formar sociedades compativeis com o Homem e com as religiões deste, e estabelecê-las nos principios de busca interna de cada um, delineando, apenas, regras para se poder viver num estado de supremacia social em que prevalece a tentativa de equidade entre todos, ou pelo menos deveria prevalecer mas se perdeu com o tempo e as influências erradas.
No Ocidente perdemo-nos entre a busca de um Ser superior e o nosso Ser interior.
Enquanto não conseguirmos definir o espaço e a necessidade de cada um vamos andar a deambular entre ambos e "programar" e "reprogramar" o que achamos ser essencial para nós e os que nos rodeiam.
Neste aspecto vem a necessidade de nos adaptarmos e sentirmos inseridos em algo, em alguem, que muitas vezes não somos nós!
Procuramos e batalhamos por nós e queremos nessas vitórias ser superiores, queremos nas derrotas não ser inferiores, mesmo tendo perdido, esquecendo-nos muitas vezes do meio termo. É sem dúvida necessário sermos pequenos para poder ser grandes, mas esta magnitude deve ser interior e não exterior nem sob a forma de dominio sobre outrém.
E o que nos vem dizer tanto o Oriente: se perdeste, aprende com a lição e no futuro já sabes como evitar mais uma coisa; quanto o Ocidente: se perdeste é porque não estavas preparado para ganhar e não tinhas adquirido a fé suficiente; é que somos iguais uns aos outros apesar de interpretar de formas diferentes estes modos de estar e ser perante a vida.
Engraçado como a mensagem é a mesma só a forma de a exprimir é diferente. Porque então ficar pela linguística e não passar á "agistica"? Vamos agir e ser superiores ao que nos dizem que não podemos ser, vamos quebrar barreiras e fronteiras na busca de um ser melhor, não superior nem inferior, mas em equidade e equilibrio com os outros.
Se eu procuro saber mais sobre algo devo fazê-lo e é meu dever partilhá-lo com os outros, é a minha responsabilidade social, se alguém quer ouvir ouve, se não, não me compete a mim convencer ninguem com algo mais do que a palvra sobre o que aprendi!
Percebo que com as afirmações em cima se pode entender isto como: ah bom, vamos então inventar algo e ver se pega! De todo esta não é a visão que procuro!
O interior de cada um é pegajoso e único, por isso pode sair dele qualquer coisa boa ou má, mas cabe aos outros que convivem com essa pessoa saber discernir se o que vem dessa pessoa é mau ou bom e na condição de amigos compete a nós falar uns com os outros e partilhar, ao mesmo tempo que vivenciar, informações. Pois está subjacente a esta ideia, o facto de nos irmos conhecendo e procurando tambem, estabelecendo assim relações entre pessoas, entre seres. Isto é um modelo de sociedade, até parecido com o que se vive hoje, no entanto algo utópico tendo em conta a discrepância de conhecimento e vontades que se vivem nos dias que correm.
Temos de nos adaptar então ás vontades de quem manda e aos credos da nossa secção do mundo. Mas associado a isto podemos continuar a procurar e a conciliar o resto connosco e com o Mundo, na tentativa de descobrir o que ele nos quer realmente mostrar.
É isso que fazemos e que pretendemos ao dizer: não, não somos a necessidade do nosso tempo, mas sim a necessidade de sermos nós!
"Faz do mundo os teus caminhos", continuo a adorar esta frase, pois ela resume muita coisa e permite conhecer nos seus meios e locais, os porquês e quantos de quem se assume como seguidor de Yoga, do Taoismo, do Catolicismo, entre todos os outros presentes, estes sim, nos tempos que correm ...
Com sabedoria e conhecimento podemos crescer e assumir sem pretensões o nosso lugar ao sol, único, distinto e em equidade e equilibrio com todos os outros, pois ja aprendemos que ele é mutável e diferente de ser para ser, e como tal deve ser respeitado e promovido estando disponivel apenas a quem estiver disponivel para o ouvir!
Nuno Cruz 24/06/2007
domingo, 24 de junho de 2007
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